luanares mariposeantes

"luar luana de ana ar luz assim nasce luana … luanar" E. Lara

Mês: agosto, 2012

a roda

enquanto… por enquanto…

tempo tão indefinido

como um até breve

ou um adeus

girou e girou…

para acertar as contas

para os encontros marcados

com o acaso

que nunca existiu

girou e girou…

mas quem vai

sempre fica

no peito

a marca genuína

girou e girou…

pra quem parte

e quem fica

o tempo compasso

da hora infinita

girou e girou…

como antes e depois

como sempre

como nunca

o arcano do equilíbrio

girou e girou…

 

Maria a puta

Maria desde pequena

atormentada pelos santos

que na velha casa

andavam por todos os cantos.

Maria que crescera

cuidando tudo que fazia

porque Jesus sabia de tudo

e contava pra sua mãe.

Era por isso que Maria

passava horas no banheiro

onde a única imagem que via

era sua no espelho.

Maria uma qualquer

perseguida por olhos inertes

que a encontravam

nos seus pensamentos impróprios.

Maria a medrosa

reprimia suas obscuridades

naquele pesado silêncio.

Maria a cansada

de ser arrependida

foi embora levando no braços

de Jesus a estátua fria.

Maria que vaga entre camas

de senhores

também de damas

Maria que já não se lembra mais

De rezar Ave-Maria

na hora em que do ventre pari

o filho que não queria

e logo trata de livrar-se.

Maria a apedrejada

feito Geni machucada

jogada ali na calçada

esperando a hora de ir.

olhares luanares

entram pela janela

com a brisa fresca da manhã

elas

as mariposas

deusas do vento

me pousam

nos dedos

trazendo canções

de sempre

de nunca

perpétuas mariposas

enchendo meus olhares

luanares

mariposeantes