luanares mariposeantes

"luar luana de ana ar luz assim nasce luana … luanar" E. Lara

Mês: junho, 2013

às crianças, passarinhos e andarilhos

Tem uma jasmineiro no caminho da minha casa. Todo dia eu desço do ônibus e ele está lá. Sempre cheio de flores e aromas a me ofertar e a ofertar a quem queira. Às vezes a gente conversa (na verdade eu falo) e me dou conta de quantas lições importantes ele me dá. Só por ser, estar e existir naquele local, nesse momento com toda a sua delicadeza e silêncio.

Há crenças em mim de que ele é mais do que aquela singela e frondosa árvore, onde vez em sempre o vento faz uma visitinha, sabe assim ‘dois dedin di prosa’, pra presentear o passante atento com o inebriante perfume de suas florezinhas. Ao visitante cabe a tarefa não de decodificar qualquer mensagem, mas sentir e permitir que isso lhe diga além dos parcos sentidos.

Imagino que em dimensões onde minha vista ainda não alcança ele deva ser um belíssimo elemental, gracioso e sublime como a pureza da humildade. Graças a ele jasmim é então uma de minhas flores prediletas.

E me permito lembrar de personagens como Zezé que passava tardes inteiras conversando com Xururuco, o seu querido pé de laranja-lima e é uma delícia essa sensação de inocência que se produz aqui dentro, que nem é só dentro e que nem sei onde é.

Quando dobro a esquina já vislumbro os dois com conversinhas ao pé do ouvido. O jasmineiro e o vento. Há dias em que me zango por ciúmes, mas é só de brincadeira porque sei que logo vem o vento me abraçando e me levando pra essa conversinha tão íntima, me envolvendo nessa bruma de doçura infinita.

Tem dias que me finjo de invisível e fico só observando o balançar das suas folhas e todas aquelas florezinhas bailarinas rodopiando no ar até chegarem ao chão. Então penso que elas ficam lá e se misturam de novo as coisas da terra, porque segundo Manoel de Barros as coisas tem que adoecer de terra pra merecer ser chão, e alimentam a vida com a sua pequena consciência que é apenas uma parte da consciência daquele que foi um dia sua casa (o jasmineiro) e que não é outra coisa se não parte também da grande consciência do próprio chão. Acho que como as latas (e mais uma vez me remeto a Manoel) elas também querem virar poesia.

Há dias em que ver as muitas faces da alegria não é fácil, mas ele me acolhe como amigo generoso que é e na maior das simplicidades acalenta meus anuviados pensamentos me levando até as estrelas. A gente fica lá, ouvindo o nada e depois tudo melhora.

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alegria é

Cumprir o destino de  Ser

Navegando sem medo essa vida

[que é só um pedacinho infinitesimal da eternidade]

Navegar sem medo e confiar no timoneiro do Universo

Dançando e celebrando na abóbada celeste