apassarinhando

por luacampos

tem um passarinho cantando na minha alma

ele é verde azul amarelo roxo
arco-íris carmesim
pôr-do-sol via-láctea mar sem fim
cor de açúcar queimado

como o doce olhar daquele por mim amado

às vezes ele é sabiá
e traz o aroma da laranjeira
da flor de maracujá
do jasmineiro amanhecendo para o Sol

meu ser se delicia em tamanha singeleza

às vezes ele é beija-flor
cheio de obscenidades
aqui e acolá penetrando hibiscos despudorados
que ficam por aí tão eróticos

e me fazem voyeur da natureza

às vezes é um periquito
arruaçando meus jardins interiores
noutras um tímido bem-te-vi
a cantar sua solidão em uma árvore seca

quando andorinha faz-me acalorados verões

às vezes é habilidoso como joão
a manejar o barro que sou
me tornando morada de amor indelével
simples como a tudo que o tempo devora

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