luanares mariposeantes

"luar luana de ana ar luz assim nasce luana … luanar" E. Lara

Categoria: poemas

apassarinhando

tem um passarinho cantando na minha alma

ele é verde azul amarelo roxo
arco-íris carmesim
pôr-do-sol via-láctea mar sem fim
cor de açúcar queimado

como o doce olhar daquele por mim amado

às vezes ele é sabiá
e traz o aroma da laranjeira
da flor de maracujá
do jasmineiro amanhecendo para o Sol

meu ser se delicia em tamanha singeleza

às vezes ele é beija-flor
cheio de obscenidades
aqui e acolá penetrando hibiscos despudorados
que ficam por aí tão eróticos

e me fazem voyeur da natureza

às vezes é um periquito
arruaçando meus jardins interiores
noutras um tímido bem-te-vi
a cantar sua solidão em uma árvore seca

quando andorinha faz-me acalorados verões

às vezes é habilidoso como joão
a manejar o barro que sou
me tornando morada de amor indelével
simples como a tudo que o tempo devora

Vem

Pegue a minha mão e caminhe comigo na Terra do Arco-Íris
O Vento é nosso guia, não se preocupe
Apenas veja, sinta, seja
Como o jasmineiro que derrama suavemente sua fragrância no entardecer
Como o murmúrio misterioso das águas
Ou o chamado poderoso do Sol para o novo dia

Vem, vem…

Abre os olhos, inspira
Já é tempo de calar o medo, de lavar a alma
Desnuda teus pés e sente a força te tocar

Corre comigo na chuva, nós já podemos voar
Vem que aqui do alto a gente pode ver o pôr-do-Sol com os anjos
Vem comigo ser dourado feito a relva do campo

Vem, vem, vem…

Vem que as Três Marias querem fazer uma ciranda
Vamos subir até o mundo das estrelas
Constelar…

Vou olhar para o céu

Pra tentar me inspirar

Ver se sai algo doce

Bom de se recitar

Algo assim feito mel

Um versinho de luar

Poema de Sol no horizonte

Um conto de estrela no mar

O dia finda

meio sem jeito,

como um velhinho brejeiro

daqueles assim romantizados

sentados na varanda

na cadeira de balanço

silenciosos

contemplativos…

 

O dia azulado

que foi alaranjado até rosear

e depois enegreceu.

Tanta nuvem no céu…

Meu Deus quanta nuvem!

 

Todas as texturas

sabores…

Todas as cores

sombras e contornos

um pouco fofas

um pouco ralas

brincando de esconde-esconde

com o Sol.

 

O céu…

esse grande mar

e as nuvens

suas espumas brancas

mornas

pequenos silfos

brincando de nereidas.

arranquei-te de mim

como quem provoca um aborto

precário e sofrido.

sangrei,

por lágrimas

sangrei por culpa

sangrei por ódio

e sangrei por medo

e de tanta dor

me tornei estéril

sentir coisas que não tem nome

ao amigo que tem o dom de ser poesia

se fosse pelo senso comum
eu diria que é saudade
mas saudade é uma coisa apertada
e aqui tudo é muito livre
 
podia dizer que é tristeza
ou que é simplesmente alegria
mas eu acho que é paz
que é o equilíbrio das coisas
 
como é que a gente consegue
amar uma coisa
assim desse jeito?
 
amar como se ama uma nuvem
ou um raio de sol
que quando bate nos campos verdes
faz tudo doirar
 
amar assim como se ama
o cheiro da chuva
ou o cantar do vento
a sombra da árvore
o sorriso de uma criança
 
amar solitária
como uma águia na mais alta montanha
que vê o Sol se pôr
e a Lua nascer
 
que sabe que só pode sentir-se assim
aquele que compreende
que as amarras limitam o Ser
 
o que Ser amor
é ser livre.

Um poema

que não existe

é um silêncio

entre uma nota

e outra

o desespero dos dedos

que não podem

gritar

Yin Yang

Avança através da bruma

Da noite escura

Das sombras de seu coração

Nova, fresca

Ela aparece

Ninfa divina

Radiante, branca

O outro extremo

Polar

O encontro

A dança circular

Do tempo

Se fosses minha menina

serias assim uma menina
com uma flor
e te afagaria os cabelos
e te beijaria os olhos
e beberia em tua boca
como uma flor bebe o orvalho
sedenta
 
te descobriria
pouco a pouco
esse teu corpo infinito
a tua pele de Sol
as constelações que te habitam
cintilando em mil olhares
 
navegaria em oceanos
de cheiros e texturas
saboreando vertigens
embalado pelo bater destoado
junto a teu seio
de paz
 
dormiria talvez
de exaustão
de contemplar teus encantos
teus sons
tuas cores
tão humanas
tão sublimes
 
que deleite seria
despertar com o canto
da poesia que sai de vós
 
te amar no vento
como os silfos carregam as folhas
te amar na chama
como um corpo que pede calor
em uma noite fria
 
te banharia na chuva
te amaria na terra
crua
toda nua
toda lua