luanares mariposeantes

"luar luana de ana ar luz assim nasce luana … luanar" E. Lara

Categoria: Uncategorized

Um novo capítulo.

Mas e a estória?

Não saberei até o fim desse período. Sem promessas, sem expectativas… só folhas em branco a serem preenchidas.

às vezes com, ás vezes sem…

cautela.

às vezes com, ás vezes sem…

verdades.

Hora obscuras como o véu da noite. Hora tão claras que farão arder os olhos do leitor descuidado. Verdades inteiras e pela metade.

um momento…

pura ilusão de tempo. Tento mentir… ora, ora, ora… me escondo, me nego . Sou então meu próprio Pedro.

Fugir? Pra onde? Folhas brancas… não há qualquer lugar seguro.

“sede o que tú és” “sede o que tú és” “sede o que tú és”

Sede… e fome… de quê? pra quê?

Folhas brancas e um coração indomado. Amordaçado ainda, mas selvagem ainda.

(suspiro)

As chuvas de primavera já começaram e o quarto crescente já sorri os mistérios da Deusa.

Folhas brancas… caminhos.

Me escreva então “pois como é em cima é embaixo”. Pintemos este Universo macrospular.

Microcosmo. Um reinozinho já não tão particular.

Escrevas tú… sou eu a folha

viva.

Senhora

Dona da Lua

Que carrega as sementes do fogo sagrado

Em busca da fertilidade sublime

Aonde brote a lótus da pureza

 

Menina de pés descalços

Que sete vezes

Dançou pro cosmos

Anunciando a vinda dos ancestrais

 

Mulher-Alada

Que traz a força dos ensinos eternos

E nos olhos o brilho

Das verdades ocultas

 

Grande-Avó, Irmã e Mãe

Que nos liberta das prisões do ego

Nos amparando a cada morte,

A cada vida

 

Chama divina

Que arde no peito

Dos que secam as lágrimas

No teu véu

 

Esperança

Em forma de vida

Amor puro

Que abre as portas do infinito

 

Perfeição a que se chama natureza

Alimenta essa espiral

De evolução

E revolução

Alecrim

Nascido entre relvas e orvalhos

Banhado no Sol da manhã

Velado por ninfas misteriosas

E encantamentos de deuses estelares

 

Semente trazida pelo Universo

A encher a casa de sorrisos

Gargalhando nos recônditos da tristeza

A Valente filha do Sol

 

 

 

às vezes

é como se um pequeno gesto

um tímido sorriso

fosse uma carícia íntima.

 

é como se o instante

revelasse a eternidade

do que nunca pode ser.

 

é como se a dor

fingisse que não dói

e tudo ficasse anestesiado assim.

 

é como se a verdade não existisse

e tudo perdesse o sentido…

 

é como… um vazio preenchido.

 

Verdade verdadeira que for

ainda que se dilacere meu peito em pranto

ainda que doa na carne e no karma

matéria infernal e sublime de todas as coisas

porque não existe o bem e nem o mal

e enquanto não se faz a luz

só existe a treva…

não se aponta o caminho

mas pé ante pé se faz

e o caminhante só tem sua fé

sem garantia de respostas

só a certeza de que busca é infinita

e o caminho é estreito…

 

a roda

enquanto… por enquanto…

tempo tão indefinido

como um até breve

ou um adeus

girou e girou…

para acertar as contas

para os encontros marcados

com o acaso

que nunca existiu

girou e girou…

mas quem vai

sempre fica

no peito

a marca genuína

girou e girou…

pra quem parte

e quem fica

o tempo compasso

da hora infinita

girou e girou…

como antes e depois

como sempre

como nunca

o arcano do equilíbrio

girou e girou…

 

Maria a puta

Maria desde pequena

atormentada pelos santos

que na velha casa

andavam por todos os cantos.

Maria que crescera

cuidando tudo que fazia

porque Jesus sabia de tudo

e contava pra sua mãe.

Era por isso que Maria

passava horas no banheiro

onde a única imagem que via

era sua no espelho.

Maria uma qualquer

perseguida por olhos inertes

que a encontravam

nos seus pensamentos impróprios.

Maria a medrosa

reprimia suas obscuridades

naquele pesado silêncio.

Maria a cansada

de ser arrependida

foi embora levando no braços

de Jesus a estátua fria.

Maria que vaga entre camas

de senhores

também de damas

Maria que já não se lembra mais

De rezar Ave-Maria

na hora em que do ventre pari

o filho que não queria

e logo trata de livrar-se.

Maria a apedrejada

feito Geni machucada

jogada ali na calçada

esperando a hora de ir.

olhares luanares

entram pela janela

com a brisa fresca da manhã

elas

as mariposas

deusas do vento

me pousam

nos dedos

trazendo canções

de sempre

de nunca

perpétuas mariposas

enchendo meus olhares

luanares

mariposeantes

hoje eu vi um anjo

com as asas abertas

com o braços abertos

voando sob o céu

de peito aberto pro mundo

hoje eu vi um anjo…

ou será ele que me viu?

um anjo no céu cor de carne

suave como uma nuvem

gigante como o infinito

passando fugazmente

e me mandando escrever

esse devaneio assim

pra eu nunca duvidar

que ele apareceu pra mim

você aí no espelho

quem é você?

você que meche no cabelo

se vendo assim tão bonita

tão feia…

quem é você com esses olhos tão vivos

marejados de oceano

tem dias que tão nublados

tem hora que tão coloridos

e às vezes assim tão tristes

pupilas que vagam na eternidade

inquietas

tão cheias de dúvidas

tão cheias de medo

espelhando a alma

desse olhar

de você que se olha nos olhos

e pergunta

afinal

quem é você?